Inteligência Artificial (IA)
Na corrida por eficiência e competitividade a IA tem gerado tensão entre as áreas de negócio e de TI.
Esdras Araujo · 17 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

Por que sua empresa não consegue implantar IA rápido, mesmo com o CEO mandando? A área de Negócio pressiona enquanto a TI se desdobra para compatibilizar a IA com todo seu ecossistema digital. Este tem sido o dilema que todo CEO enfrenta, e poucos estão conseguindo resolver com velocidade, na corrida da IA.
Tem uma linha de tensão que corta praticamente toda empresa que decidiu "acelerar com IA". E ela não está no roadmap, está na sala de reunião. De um lado, o CEO e o Negócio batendo na mesa por velocidade e maior competitividade. Do outro, a TI segurando a régua da responsabilidade para fazer funcionar direito. Os dois lados têm razão. E é, exatamente, por isso que o conflito não se resolve sozinho.
**Time 1: CEO e Área de Negócio: cada mês parado é um mês perdido **
O CEO já decidiu: a empresa precisa se tornar mais eficiente com IA, e precisa fazer isso agora. Não é uma sugestão de inovação ou uma ideia solta. Esta visão já se tornou uma questão de competitividade para o negócio. Enquanto a empresa discute governança, o concorrente já está automatizando.
Essa pressão desce e vira cobrança direta nas áreas de negócio: "usem IA, reduzam custo, ganhem tempo". E o discurso do Negócio, embalado por essa urgência, é simples, eficiência não pode esperar o cronograma ideal para entrar em campo. Cada mês sem automação é operação carregando peso morto que a tecnologia já teria condições de tirar das costas das pessoas.
Do ponto de vista do Negócio, a demora da TI não é prudência. É risco competitivo disfarçado de processo.
Time 2: Gestão de TI e Governança de Dados: sem base sólida, a casa cai depois
Do outro lado do ringue, o setor de TI recebe a mesma ordem do CEO, só que com um problema a mais na mão: fazer IA rodar de verdade, entrar em produção sobre uma base de dados que nunca foi pensada e estruturada para isso, sistemas legados, processos sem padronização e exigências de segurança que não desaparecem só porque o prazo é curto.
Para a TI, colocar um modelo de IA para rodar sem LGPD resolvida, sem controle de acessos, sem rastreabilidade e sem plano de rollback não é uma questão de agilidade é dívida técnica com juros compostos e data de vencimento marcada. Cada atalho aprovado sob pressão hoje é um incidente de segurança, uma auditoria reprovada ou um sistema que precisará ser refeito amanhã, com o dobro do custo.
Do ponto de vista da TI, a pressa do Negócio não é ambição. É risco operacional disfarçado de eficiência.
O impasse que gera tensão
O impasse vem do fato de que os dois lados estão corretos em suas competências. E isso é o que torna esse conflito tão difícil de resolver com bom senso. Não há vilão, mocinho ou rebelde nesta história. O Negócio não está equivocado em querer velocidade. A necessidade por competitividade é urgente e real. A TI não está errada em exigir segurança e governança, pois o risco também é real e permanente. O problema é que as duas agendas disputam o mesmo recurso escasso, o tempo. E, sem um terceiro elemento que organize essa disputa, o resultado é sempre o mesmo. Negócio acusando TI de travar a empresa, TI acusando Negócio de ignorar o risco, e o CEO no meio, cobrando e acelerando os dois ao mesmo tempo.

Pessoas: a provocação que ninguém coloca na mesa
Acontece no entanto, que esse cabo de guerra entre CEO/Negócio e TI esconde uma terceira tensão, ainda mais desconfortável. As pessoas que vão operar ou ser substituídas pela adoção de soluções automatizadas com Inteligência Artificial.
Enquanto a diretoria discute velocidade e a TI discute segurança, quem está na ponta da operação carrega um medo que raramente entra na pauta oficial: se a automação faz o meu trabalho hoje feito manualmente, o que sobrará pra mim amanhã? Este receio não é apenas retrato da resistência cultural à mudança, é uma pergunta legítima que ninguém, nem o Negócio nem a TI, está respondendo.
E é isso que torna o processo ainda mais espinhoso. Não basta a TI entregar algo seguro e o Negócio aprovar algo rápido. Se as pessoas que vão usar a IA como ferramenta não forem incluídas na conversa, a adoção trava por baixo, mesmo com a tecnologia pronta e a diretoria satisfeita.
Resolvendo o impasse
Se os dois lados têm razão, a saída não está em convencer um a ceder para o outro. Está em transformar a disputa em projeto estruturado e com etapas, responsáveis e critérios claros e bem resolvidos, definidos antes do desenvolvimento. Se não, a automação entrar em produção as todos ficam perdidos. É essa estrutura que falta na maioria das empresas, um espaço onde a urgência do Negócio e o rigor da TI deixem de se enfrentar em reuniões tensas e passem a ser insumo para um plano de ação único.
Isso começa pelo mapeamento completo das necessidades. Quais processos realmente pedem automação, qual o ganho esperado para o Negócio, e quais dados esse projeto vai demandar. Não basta saber que existe um banco de dados. É preciso entender a confiabilidade dessa informação, sua origem, sua atualização e sua rastreabilidade. IA que aprende com dado ruim entrega decisão ruim e este é um risco que nem o Negócio nem a TI podem aceitar.
O passo seguinte é mapear todos os pontos de contato do processo onde a IA vai atuar, quem depende dessa etapa e o que acontece antes e depois dela, pois são nesses pontos de integração que moram os riscos de segurança e as falhas de governança que a TI tanto teme. O Negócio, por sua vez, sem visibilidade técnica, tende a subestimar. Definir os níveis de segurança e as diretrizes de governança necessárias é o que garante que a eficiência conquistada hoje não vire um incidente, uma multa, uma perda de confiança ou crise a ser gerenciada, amanhã.
A Leany, empresa curitibana de tecnologia, atua ajudando empresas a organizar e executar projetos de automação. Com um método próprio de Discovery e Evolução Contínua, a Leany tem ajudado empresas de diferentes setores a transformar essa tensão entre Negócio e TI, implantando com agilidade, projetos inteligentes que atendem às expectativas do Negócio sem atropelar as preocupações e exigências que a TI tanto preza. No fim do dia, a Leany se torna o aliado estratégico que permite ao CEO trazer sua visão de futuro para o presente de forma conciliadora.
Para refletir
O cabo de guerra entre o "faça logo" e o "faça certo" só para de ser destrutivo quando alguém assume o papel de facilitador entre os dois lados e inclui, nesta facilitação, a ansiedade de quem vai conviver com a IA no dia a dia.
Se você é responsável, idealizador ou mesmo entusiasta da ideia de empregar a Inteligência Artificial na sua empresa, procure por pessoas ou parceiros que possam atuar na construção de pontes e na conciliação entre interesses e preocupações opostas. Isto reduzirá a tensão das reuniões mais acaloradas e ajustará o foco das expectativas de todos em um mesmo ponto, o de que precisam colaborar para desenvolver uma solução que seja eficiente, inteligente e sustentável ao longo do tempo.
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